quinta-feira, 4 de julho de 2013

quarto branco


O repassar compassado dos ponteiros do relógio era sufocante. Há quanto tempo estaria naquele quarto branco, não sabia. A imobilidade tomara conta do seu ser.
Mexer para quê? - pensava ela.
O mínimo movimento levava-a a tocar a parede mais distante. Não era só o tic-tac do relógio que a sufocava, aquelas paredes impediam a vida a qualquer ser.
Já nem sabia se estava na condição apenas de sobrevivência. No fundo, já nem sabia se estava sequer viva.
A janela afinal não era quadrada como tinha visto nos filmes. Aquele quarto era diferente. A janela era um rectângulo, que ocupava horizontalmente toda a parte superior da janela e devia medir de altura não mais de 20 centímetros. Alcança-la era impossível. Se havia mais, além daquelas quatro paredes, não o poderia saber. Viver na ignorância talvez não fosse assim tão mau.