O
repassar compassado dos ponteiros do relógio era sufocante. Há
quanto tempo estaria naquele quarto branco, não sabia. A imobilidade
tomara conta do seu ser.
Mexer
para quê? - pensava ela.
O
mínimo movimento levava-a a tocar a parede mais distante. Não era
só o tic-tac do relógio que a sufocava, aquelas paredes impediam a
vida a qualquer ser.
Já
nem sabia se estava na condição apenas de sobrevivência. No fundo,
já nem sabia se estava sequer viva.
A
janela afinal não era quadrada como tinha visto nos filmes. Aquele
quarto era diferente. A janela era um rectângulo, que ocupava
horizontalmente toda a parte superior da janela e devia medir de
altura não mais de 20 centímetros. Alcança-la era impossível. Se
havia mais, além daquelas quatro paredes, não o poderia saber.
Viver na ignorância talvez não fosse assim tão mau.