A vida na cidade carece ainda mais de sentido do que a vida no campo. Esta última rege-se de alguma forma pelo ritmo da natureza, sendo por isso mais autêntica e menos artificial. A vida na cidade é um remoinho sem sentido, criado pela ideia da sobrevivência pelo consumismo. Ratazanas de esgoto ao ar livre, é o que parecemos quando maquinalmente descemos as escadas do metro e sem levantar aos olhos regressamos num passo apressado transpirando tudo o que nos consome.
Felizes os ratos do campo que são beijados pelo doce orvalho da madrugada, temendo o olhar felino entre os pastos.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Felizes os ratos do campo
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O tempo e o espaço. Dois conceitos tão difíceis de encaixar e que vivo tão intensamente.
O passar do tempo na pele, o respirar memórias, tudo ao mesmo tempo em mim.
Se pensar que tudo acontece ao mesmo tempo, em simultâneo, haverá intemporalidade em mim? Como sobreviver então ao envelhecimento? Não apenas ao meu, mas ao daqueles que me rodeiam.
O meu corpo é matéria orgânica que irá alimentar a Terra, e os meus pensamentos? Os sentimentos que habitam o meu coração e a minha alma para onde irão? Fazem parte do quê, se tudo pode existir sempre e o aqui e agora podem ser intemporais?
Que roda viva é esta, que a cada minuto tem menos para ser e mais para se realizar? Disseram-me que há coisas que não são para serem vividas, esta inquietude que me assola não é para ser resolvida, mas para ser aventura e o eterno gosto pelo desconhecido.
Penso que não temo o que está para lá do véu.