sábado, 31 de maio de 2014







Fico tão esgotada
sou tudo aquilo que não sou
Sou tudo aquilo que escondo
Sou triste.
Não respiro
Sufoco-me.
Sou uma peça que não encaixa
desajustada.

Não sei onde pertenço
Não sei o que me completa,
Estou demasiado próxima de mim

Sou um vestido demasiado justo
incómodo
Que agora dança no meu corpo
Mais calmo, esgotado.

                                  Estou de pé, em frente ao espelho.
                         Observo-me, tomando consciência do desenho, da figura.
                         Observo-me na estranheza.
                         Na espera de que algo de extraordinário aconteça;
                         De que a fusão ocorra; de que a viagem temporal finalmente se concretize.
                         Estou na cápsula.
                         Lançada na experiência.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Dia de sol e de vento. Sal na boca.
Hoje fiz um dos telefonemas que tinha em atraso. Podia ter falado mais, contado um pouco do que tenho feito. No entanto, a conversa foi curta, só para saber como está o outro, ouvir a voz, marcar vida na vida.

sábado, 24 de maio de 2014

Sabes, não tenho ninguém à minha espera. Não sei se tens algum compromisso agora ou daqui a uns minutos, mas eu não tenho ninguém à minha espera. E isso dá-me total liberdade. Total liberdade para poder voltar a tocar à tua porta. Como fiz tantas vezes... e ficávamos assim, em silêncio. Pelo menos é o que eu recordo. De ficar em silêncio. E de me ouvir. Mas não recordo o som da tua voz. Não recordo o som da minha voz.
Ontem sonhei contigo.
Junho/ 2013
 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Se durante uns tempos me senti adormecida, se durante os tempos seguintes andei tão ocupada com o rotineiro trabalho, se parecia que o tempo tomava conta dos meus tempos, se tudo isso assim foi de facto ou não, pouco importa agora.
Não tenho feito as chamadas telefónicas que penso todos os dias em fazer. Tenho adiado o estudo. Tenho adiado a conversa de minutos. Tenho preferido o mar, a natureza e o silêncio ao ruído das criaturas televisivas e às luzes de secretária.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Não foi preciso pensar muito para decidir que o rumo a tomar é: zarpar!
Cada dia que passa tenho mais a certeza de que a nossa vida depende das nossas escolhas. Parece um lugar comum, mas é preciso ter consciência disso. Dizer da boca para fora é uma coisa, senti-lo é outra.
Sei que quero viver e crescer num local seguro de paz e harmonia. Nunca tive pretensões em mudar o mundo, em ser uma Madre Teresa, detesto a ideia de sacrifício nem acredito em qualquer tipo de benefício do mesmo. Então para quê fingir? Não quero estar aqui, não me importo de deixar o que tenho para trás. Tenho sede de experiência, de natureza e equilíbrio. Procuro, e aqui não encontro isso. Excepto quando chego de madrugada à praia e uma dúzia de roazes me saúda em alegres mergulhos, longe do grunhir dos restantes transeuntes que em poucas horas não tardarão a encher o areal de pontos de cor e restos de uma vida de desperdícios.  Não é preciso dizer muito que logo, logo m irei embora, para voltar talvez noutro amanhecer.