A vida na cidade carece ainda mais de sentido do que a vida no campo. Esta última rege-se de alguma forma pelo ritmo da natureza, sendo por isso mais autêntica e menos artificial. A vida na cidade é um remoinho sem sentido, criado pela ideia da sobrevivência pelo consumismo. Ratazanas de esgoto ao ar livre, é o que parecemos quando maquinalmente descemos as escadas do metro e sem levantar aos olhos regressamos num passo apressado transpirando tudo o que nos consome.
Felizes os ratos do campo que são beijados pelo doce orvalho da madrugada, temendo o olhar felino entre os pastos.