Data: 3 de Maio de 2010
A vontade de estar em silêncio impera.
O círculo fecha-se sobre mim própria.
Sinto-me idiota quando sou simpática e as palavras amigáveis traiem a fúria em espiral que domino.
O que faz sentido?
O vento nos cabelos. O sabor do sal na boca. Fechar os olhos e sentir o sal intenso. Ter um arrepio de frio. Sonhar com o saltitar de um melro.
O que custa?
Respirar de mais. Sufocar na imensidão daquilo que tenho para ser. A incapacidade de me concretizar por ser mais.
Sentir a inutilidade do esforço. E o saber da possibilidade de quebrar.
O Exílio.
Uma constante: o não saber o que falar em comunidade. Tenho a sensação que caso tivesse que almoçar, estar um período de tempo obrigatoriamente com alguém, esse período corresponderia àqueles chamados silêncios de morte. Porque há tantas vezes nada para dizer e tanto para ser dito.
O círculo fecha-se. Eu sou o círculo.
Não há pares.
Não ha comunhão.
Apenas espaço para mim.