sábado, 15 de fevereiro de 2014

Data: 3 de Maio de 2010

  A vontade de estar em silêncio impera.
  O círculo fecha-se sobre mim própria.
  Sinto-me idiota quando sou simpática e as palavras amigáveis traiem a fúria em espiral que domino.

  O que faz sentido?
  O vento nos cabelos. O sabor do sal na boca. Fechar os olhos e sentir o sal intenso. Ter um arrepio de frio. Sonhar com o saltitar de um melro.

 O que custa? 
  Respirar de mais. Sufocar na imensidão daquilo que tenho para ser. A incapacidade de me concretizar por ser mais.
  Sentir a inutilidade do esforço. E o saber da possibilidade de quebrar.
  O Exílio.

 Uma constante: o não saber o que falar em comunidade. Tenho a sensação que caso tivesse que almoçar, estar um período de tempo obrigatoriamente com alguém, esse período corresponderia àqueles chamados silêncios de morte. Porque há tantas vezes nada para dizer e tanto para ser dito. 
  
  O círculo fecha-se. Eu sou o círculo.
  Não há pares.
  Não ha comunhão.
  Apenas espaço para mim.