domingo, 29 de setembro de 2013

esse meio dia


     De certo já imaginaste os dias sem ti. O sol a iluminar a tua cama, que por ventura não seria tua, na tua ausência.
     O silêncio dos papéis, o silêncio dos lápis na sua quietude, o afastar da visão porque a tua presença não está ali.
      Tu não estás. E se não estás, como podes pretender saber como seria o meio dia no teu quarto, o sol do meio dia a entrar no teu quarto, na tua ausência? Talvez não fosse esse meio dia de silêncio, esse meio dia de esperança, esse meio dia abandonado.
     A tua cadeira, rubra de te pressentir; a cadeira sem função, quente dos raios de sol do meio dia.
     Aquele meio dia em que tu não estarás.
     Aquele meio dia encoberto e triste.
     Aquele meio dia que não é possível tu saberes como é.
     Aquele meio dia que não existe. Só existe para ti que não estás lá.
     E por que não é meio dia. Mas sem ti será sempre a eternidade. Sem ti será sempre o meio dia, de um dia de sol, de primavera; um meio dia de esperança, um meio de dia de sol, sem ti, de silêncio. 
     O teu quarto, na tua  ausência. Os dias sem ti. No teu quarto. Os dias sem ti ao meio dia. O teu quarto.
    De certo já imaginaste, o sol do maio dia a iluminar a tua cama. Os dias sem ti.

[Março/ 2013 - Texto e Fotografia MM]